existem duas maneiras de não sofrer. a primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebe-lo. a segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço.
- italo calvino [em cidades invisíveis]
20 outubro 2009
17 julho 2009
no café da manhã, minhas certezas servem-se de dúvidas. e têm dias em que me sinto estrangeiro em montevidéu e em qualquer outra parte. nesses dias, dias sem sol, noites sem lua, nenhum lugar é o meu lugar e não consigo me reconhecer em nada, em ninguém. as palavras não se parecem àquilo que dão nome, e não se parecem nem mesmo ao seu próprio som. então não estou onde estou. deixo meu corpo e saio, para longe, para lugar nenhum, e não quero estar com ninguém, nem mesmo comigo, e não tenho, nem quero ter, nome algum: então perco a vontade de me chamar ou de ser chamado.
- eduardo galeano [em o livro dos abraços]
25 dezembro 2008
aquilo tinha sido feito por gente? (...) encolheu os ombros. talvez aquilo tivesse sido feito por gente. (...) provavelmente aquelas coisas tinham nomes. (...) livres dos nomes, as coisas ficavam distantes, misteriosas. não tinham sido feitas por gente. e os indivíduos que mexiam nelas cometiam imprudência. vistas de longe, eram bonitas. admirados e medrosos, falavam baixo para não desencadear as forças estranhas que elas porventura encerrassem.
- graciliano ramos [em vidas secas]
12 novembro 2008
this is you. eyes closed, out in the rain. you never thought you.d be doing something like this, you never saw yourself as, i don.t know how you.d describe it... is like one of those people who like looking up at the moon, who spend hours gazing at the waves or the sunset or... i guess you know the kind of people i.m talking about. maybe you don.t.
anyway, you kind of like being like this, fighting the cold, feeling the water seep through your shirt and getting through your skin. and the feel of the ground growing soft beneath your feet. and the smell. and the sound of the rain hitting the leaves. all the things they talked about in the books you haven.t read.
this is you, who would have guessed it?
you.
- ann [personagem de sarah polley em "my life without me"]
18 outubro 2008
o amor entre ele e tereza certamente era belo, mas também cansativo: era preciso sempre esconder alguma coisa, dissimular, fingir, retificar o que dizia, levantar-lhe o moral, consolá-la, provar continuamente que a amava, suportar as reprovações de seu ciúme, de seu sofrimento, de seus sonhos, sentir-se culpado, justificar-se e se desculpar...
- tomas [em a insustentável leveza do ser, de milan kundera]
03 agosto 2008
uns dias atrás, até, eu poderia, ainda, pedir para você me salvar deste nada que sinto agora. mas o tempo... e depois de atravessar o caminho dos apaixonados, tendo passado o cruel de revê-la e, enfim, notar que você não é incrível, ocorre-me uma sensação ridícula, de que eu é que te fiz mal. poderia mesmo, se você não fosse surda, ligar para pedir desculpas. acho, contudo, que o melhor é não insistir mais nesse chicletinho. pensar em você é tão enfadonho que renuncio. que liberto-a de mim.
- fernanda young [em efeito urano]
15 junho 2008
chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo.
- caio fernando abreu [em 'lixo e purpurina', do livro ovelhas negras]
11 junho 2008
19 abril 2008
07 abril 2008
there was no angel on one shoulder or devil on the other, no mental list of pros and cons or quick scans of potencial consequences, ramifications, or backup plans. no solid thoughts of any sort whatsoever - just an all-pervasive sense of calm and determination, coupled with a deep understanding that i simply could not tolerate one additional second of the present situation.
- bette robinson [em everyone worth knowing, da lauren weisberger]
21 março 2008
o gato é uma maquininha que a natureza inventou; tem pêlo, bigode, unhas e dentro tem um motor. mas um motor diferente desses que tem nos bonecos porque o motor do gato não é um motor elétrico. é um motor afetivo que bate em seu coração por isso ele faz ron-ron para mostrar gratidão. no passado se dizia que esse ron-ron tão doce era causa de alergia pra quem sofria de tosse. tudo bobagem, despeito, calúnias contra o bichinho: esse ron-ron em seu peito não é doença - é carinho.
- ferreira gullar [em "um gato chamado gatinho"]

meu filho mais novo dormindo
03 março 2008
02 março 2008
13 fevereiro 2008
tenho vontade de fazer alguma coisa grandiosa (...) alguma coisa, sabe, que justificasse ter ficado aqui nesta porcaria. só que não consigo imaginar nada. todas as possibilidades que vejo neste negócio de profissão, de estudo, de salário, etc. me enojam, porque é sempre a mesma coisa... não encontro nada, albert - não vejo nada. de repente, tudo me parece desesperado e inútil.
- paul bäumer [em nada de novo no front, de erich maria remarque]



