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12 maio 2008

adolescência é provavelmente o tema mais batido do universo. já pegaram todos os clichês possíveis e fizeram um roteiro... tudo tão idiota ou estereotipado. o que eu não entendo é como pode que um período com tanta carga emocional seja retratado com tanta superficialidade?

eu sempre achei que o mais legal da adolescência era a incrível dimensão das coisas. nada é meio termo. os sentimentos todos aparecem em hipérboles e as frustrações ainda não começaram a fazer o seu papel de gradualmente deixarem a gente mais amargo e descrente.

aí esses dias eu vi esse filme francês chamado "lírios d'água" [naissance des pieuvres, 2007] e foi uma das melhores coisas já feitas sobre essa fase.


o filme é basicamente: garotas com 15 anos, nado sincronizado, growing up. tem a marie que é tímida e ainda tem jeito de criança e a floriane que é a dona das atenções masculinas e meio convencida. o filme não tem adultos e quase não tem meninos também. é uma visão feminina bem introspectiva do que é estar ali no meio do caminho entre a infância e a vida adulta.


marie fica completamente encantada com floriane desde a primeira vez que a vê, uma sensação que tem mais a ver com despertar dos sentimentos do que da sexualidade. e tenta se aproximar dessa menina que por ser muito bonita não tem nenhuma amiga. a relação delas começa como uma mistura de amor e submissão. floriane usa a forma como marie se sente para conseguir favores. mesmo que "a forma como marie se sente" ainda não seja clara para nenhuma das duas.


e o filme se concentra nelas, no que cada uma está passando durante esse processo de becoming a woman. é como espiar por um buraquinho uma história muito particular. não sei se cabe comparar, mas de alguma forma me lembrou "virgens suicidas" [the virgin suicides, 1999].

vou esperar ansiosa os próximos projetos da céline sciamma [diretora]. alguém que nasceu na mesma década que eu e já fala tão bem sobre coisas que vão além daqueles 85 minutos, daquela tela e daqueles diálogos, merece minha atenção.

27 abril 2008

ano passado, quando eu tava em curitiba e fui conhecer o museu oscar niemeyer uma das exposições em cartaz chamava 'instantâneos da felicidade'. era uma sala só com fotografias em preto e branco tentando capturar o tal sentimento...

uma foto em especial me chamou a atenção: duas meninas com cara de danadas, uma falando no ouvido da outra. aí lembrei disso essa semana e fui caçar mais informações. a foto é de 1979, chama "o segredo - eglantine e laurence" e a autoria é do jean-philippe charbonnier.

linda.

26 março 2008

.love sick.

sou muito chata com cinema, sabe? não me importa o quão bem executado um filme seja, minha relação com a sétima arte é extremamente passional. para que um filme entre na minha lista de preferidos precisa ter aquele "wow factor"... algo que me surpreenda, me choque, faça com que eu me identifique, essas coisas.

essa é a mágica. quando você percebe que se identifica com um filme romeno sem nem saber apontar o lugar da romênia no mapa da europa.

love sick [legaturi bolnavicioase, 2006]

o filme passa em bucareste, não tem nenhuma discussão "ui somos uma sociedade pós-comunista" e a história é mais ou menos assim: duas garotas, alex e kiki, se conhecem na universidade, moram no mesmo prédio e se tornam amigas inseparáveis. alex é bem tranquila, mas tem personalidade forte e kiki é extrovertida e meio instável. gradualmente a amizade vai se transformando em algo que só elas compreendem. e o diretor, tudor giurgiu, teve a sagacidade de explorar essa relação de uma forma sutil e delicada.

o golpe do absurdo vem com a personagem de sandu, irmão de kiki, que nutre ciúmes gigantescos por ela, dando margem a toda uma história paralela de amores doentios e parará.


além de ter adorado o filme, bucareste é uma piração antiga minha. de quando eu tinha 12 anos, lia sidney sheldon e muito me imaginava como a personagem de 'o capricho dos deuses'... ou seja, embaixadora de algum país do leste europeu. fiz vestibular pra relações internacionais e tudo.

aí depois desse filme e de "4 meses, 3 semanas e 2 dias [4 luni, 3 saptamani si 2 zile, 2007]", eu mergulhei na loucura. altos sites de como aprender romeno, buscas por música romena, até encontrei uma menina de Ploiesti (56km da capital) que estuda português e gosta de ivete sangalo. ahahahaha. já sei me apresentar e dar tchau.

buna, numele meu este juliana.
olá, meu nome é juliana.

la revedere.
tchau.

preciso contar depois da vez que pirei na dinamarca. a ponto de sair com um dinamarquês que tava de mochilão pelo brasil e passou uma noite em natal na ponte-aérea (cofcof) pipa-fortaleza.

15 fevereiro 2008

thundercats are go!


quando começaram a falar de Juno [Juno, 2007] na época do Toronto Film Festival, eu já sabia que ia gostar. adorei o trailer. adorei a trilha sonora. faltava ver o filme [que só estreou em natal essa semana]. aí que eu sabia que ia gostar, não tinha previsto era que ia gostar tanto.

é uma história boba sobre uma menina que engravida com 16 anos, mas não é um filme sobre gravidez na adolescência. nem sobre adoção, nem sobre aborto. fosse panfletário e teria me perdido como espectadora. odeio esse filmes que "passam mensagem"... mas Juno consegue divertir com profundidade. é um filme simples que causa umas risadas ótimas e, ao mesmo tempo, te põe em perspectiva a questão de que a vida vai acontecendo e nós vamos apenas tentando fazer o melhor que podemos.

aí que eu vi muita gente comentando sobre como uma adolescente espertinha como a Juno, nos dias de hoje, poderia ser sexualmente ativa e não usar algum tipo de prevenção. gente, atire a primeira pedra quem nunca fez unsafe sex. acontece! é uma merda [psicologicamente falando], mas acontece.

e apesar de cada personagem ser bastante peculiar, eles são reais o suficiente para dar credibilidade ao roteiro. nada resultou forçado. e a responsável por isso é a Diablo Cody, uma ex-stripper que nunca tinha sido roteirista. alguém me disse que o filme preferido dela é Mundo cão [Ghost world, 2001] e foi nesse universo de referências pop que ela se baseou quando tava escrevendo.

outra coisa super interessante sobre Juno é o fato do diretor Jason Reitman [de thank you for smoking, 2005] ter chegado na Ellen Page e perguntado que banda ela achava que a Juno escutaria. a atriz entrou tanto no clima geeks and freaks do filme que respondeu moldy peaches [amo!].

- you.re, like, the coolest person i.ve ever met, and you don.t even have to try, you know...
- i try really hard, actually.