março tá indo embora e eu fiquei guardando até agora a beleza que foi o show do little joy em recife no início de fevereiro. como se eu não quisesse dividir com mais ninguém a alegria que eu senti ali no teatro da ufpe.
o cd é curtinho, 28 minutos só. mas ao vivo eles tocam o álbum inteiro, uma composição nova, 'this time tomorrow' [kinks] e 'walking back to happiness' [helen shapiro].
'don.t watch me dancing' fica linda no palco, com os músicos todos deixando ela mais pesada e mais longa que na versão original. a voz da binki é uma preciosidade... baixinha, doce e eu juro que na hora que a música fala "all her best years spent distracted/ by these tired reenactments" o olho dela encheu de lágrima. logo depois ela estava tocando o xilofone e eu tinha certeza que era um dos melhores shows que já fui.
havia tanta energia boa. cada música significava algo leve e mesmo as mais doloridas tipo 'play the part' ou 'with strangers' vinham com algo de esperança. 'unattainable' continua sendo minha preferida e 'evaporar' continua soando como resto do 4, do los hermanos.
agora a catarse foi mesmo no momento final, 'brand new start' e o fabrizio falando para irmos dançar com eles. terceiro mundo, brasil, nordeste... o pobrezinho! meio teatro subiu ao palco e por um momento eu imaginei que tudo iria ao chão. foi lindo lindo lindo. já até me achei em um videozinho no youtube em cima do palco. fiquei na frente da binki o tempo todo e ela realmente parece feita de porcelana.
i gotta give all my love
20 março 2009
07 maio 2008
aí minha contagem de plaquetas tinha caído pela metade, a dor no corpo não cessava e eu tinha oito horas pra decidir se estava ou não condições de viajar para um congresso no qual eu apresentaria um artigo.
um medo de passar mal longe de casa, de precisar tirar sangue/tomar soro numa cidade onde eu nem sei o endereço do hospital militar. mas ao mesmo tempo, o medo de me arrepender era bem maior, porque academicamente esse congresso era meu primeiro grande passo.
e eu fui. umas seis horas de ônibus. um calor miserento. muita confusão no cadastramento. palestras todas lotadas... até que eu consegui vaga no dia seguinte de manhã no auditório sobre recursos audiovisuais. e à tarde, no de cinema e música da argentina.
as discussões foram ótimas. fiquei chocada com o alto desempenho em espanhol dos palestrantes. me deu vontade de estudar mil vezes mais. é um absurdo ver uma pessoa se expressar perfeitamente numa segunda língua. você olha e sabe que toda aquela desenvoltura na verdade é o resultado de anos de esforço.
depois de tudo isso era minha vez. eu seria a primeira a apresentar da sala que debatia educação e tecnologia. óbvio que em se tratando de tecnologia algo daria errado... minha ansiedade era quase palpável e o computador não funcionava. eu ia falar sobre podcast e não tinha áudio, qual a chance? quarenta minutos depois, dois artigos apresentados na minha frente e um milagroso laptop emprestado e lá estava eu saindo da minha confortável posição de público para ficar de pé em frente a cinqüenta desconhecidos.
e é claro que eu me confundi, e falei umas besteiras, e pulei um slide sem querer. mas no fim da manhã [e alguns elogios depois] eu me sentia tão realizada. era eu ali, sabe? sete páginas de pesquisa escritas por mim sem a enrolação do jornalismo ou o corpo mole dos trabalhos universitários.
esse artigo é algo que eu me orgulho tanto que nem sei se as pessoas compreendem. e ninguém me disse o que fazer ou como fazer. o tema é meu, o foco foi escolha minha, a bibliografia não me foi passada pelos orientadores. eu corri atrás. e é essa sensação boa de competência que eu pretendo sentir profissionalmente [e não o abuso infinito todo dia de manhã quando eu vou pro vale de lágrimas].
voltei pra natal no mesmo dia que apresentei. tava só a capa do batman... morta de cansada. e com as recomendações de muita hidratação, eu já tava chegando no meu quarto litro de água em menos de 24h. uma loucura. mamanguape nunca foi tão longe. e o motorista nunca foi tão lento.
e foi assim que eu sobrevivi: ao aedes, ao nervosismo, à onipresente vontade de fazer xixi e ao inferno na torre que é recife em maio. cruzes.
10 abril 2008
lá por volta de 2004, eu tinha muito tempo livre e uma disposição absurda para conhecer bandas novas. o site da tramavirtual e do senhor f eram os nomes mais significativos dos meus favoritos.
e apesar de achar que mudei um bocado, tem algumas coisas dessa época que ouço muito até hoje tipo 'suite number five', 'lazy chickens' e 'a euterpia'.
da primeira não se tem registro de atividade há anos, nem se encontra mais nada na internet. eu tenho quatro mp3. eles eram de campinas e porra! como eu queria ter visto algum show.
com o lazy chickens a história é mais bizarra ainda. se não me engano eram três meninas de curitiba que gravaram um cover de le tigre e uma música própria chamada 'so going to hell' [meu hino pra quando estou com raiva] e sumiram.
a euterpia é a única que continua compondo, gravando e fazendo shows. lá em belém. e isso pretty much anulava qualquer chance de vê-los ao vivo algum dia. até o mês passado quando murphy deu uma trégua no roteiro barato da minha vida e levou a euterpia pra tocar em são paulo exatamente no final de semana que eu estaria lá.
foi tão lindo. eu conhecia todas as letras. eu e todos os paraenses que estavam na funhouse aquele dia. hahaha. parecia que tinham me levado para uma realidade paralela com toda a trilha sonora de quatro anos atrás.
e teve uma importância simbólica gigantesca, como um tapa no meu juízo dizendo "move on, estúpida". e desse jeito tão sutil minha paranóia encerrou um ciclo. ruptura, finalmente.
não fosse a fumaça do cigarro alheio fudendo com meu sistema respiratório for good naquela noite e teria sido perfeito.
ah, se não fôssemos tão mortais.
21 março 2008
saudade de ana áurea e ana luiza.
saudade de alguém só pra mim nesse saara.
porque com elas duas eu adquiri um nível de amizade e profundidade que eu não tenho com as outras pessoas. algo que eu nem explico, só sinto. e agora elas duas estão lá, em curitiba, morando juntas, cada uma perseguindo seu sonho, que é o que eu desejo pra elas, mas isso não torna mais fácil estar aqui sozinha, sabe?
quando aninha luiza foi embora em 2006 demos uma pantufa de monstro para ela ficar aquecida e protegida enquanto estivesse distante de nós. e agora que as duas estão lá acho que quem precisa da pantufa sou eu.
preciso de minhas amigas aqui para dormirem na minha casa, para intercâmbios de cds da chan ou livros do kerouac, para nossas reuniões de engorda, para todas aquelas tardes de alguma coisa sobre nada.
as únicas que eu podia ligar ao invés de procurar no msn.

29 fevereiro 2008
a segunda vez é sempre melhor

Festa LO QUE SEA #2
a única festa de discotecagem rock [porque somos machos pra caralho] e new rave [porque também temos nosso lado travesti] em natal.
ambiente bonito, colorido, com espelhos, puffs, projeções.
ingresso justo. bebida barata. gente bonita.
banheiro decorado para uma pausa fotográfica [wc sessions].
e o melhor: no hay banda!!!
no mesmo dia vai rolar um show do asa de águia na via costeira. comemoração dos 20 anos da banda [sic]. e preciso registrar que a LO QUE SEA não é o asa, mas também arrêa!
fica a reflexão.
08 fevereiro 2008
que bom que todo carnaval tem seu fim
eu gosto demais de recife, sabe? e queria há tempos ir pra lá no carnaval. não que eu seja a_foliã, veja bem. é só que eu gosto demais desses lances verdadeiramente brasileiros, sem a palhaçada de ser um espetáculo mais voltado para gringos que para nós. nas ladeiras de olinda é proibido tocar axé. proibido. quer coisa mais linda?
eu viajei na sexta, dia 1º, depois do trabalho e cheguei lá umas 19h porque tinha um engarrafamento estúpido já na entrada de olinda. umas 22h fomos pro recife antigo conferir a abertura do carnaval no palco do marco zero. instantaneamente, duas coisas me chocaram: o excesso de vaidade com os cabelos das pernambucanas {cabelereiro deve ser a_profissão do futuro por lá} e a maravilha que é venderem carne de sol com macaxeira nas banquinhas de comida de rua.
nesse dia dormi num apartamento no décimo oitavo andar na rua aurora e o capibaribe estava assim... pura luz:
sábado é dia do galo da madrugada, maior bloco de carnaval do mundo. e a multidão toma tudo, as ruas... as pontes. uma loucura. e lá fomos nós atrás do galo. tava um sol absurdo, e tinha muita muita gente, cheguei embaixo dele, tirei a foto, mas fui "franguinha" e não agüentei ficar.
segui para olinda. aí é o esquema... sobe ladeira, desce ladeira. muita gente também. a população deve dobrar durante o carnaval... não é possível! vários blocos, várias troças, muitas fantasias, muitos bonecos gigantes. tudo muito colorido, divertido mesmo. e os tambores de maracatu... eu amo maracatu. parece que a batida acompanha o coração, sei lá. mexe com algo que em mim não tem nome, mas tem uma energia muito forte. é só deixar fluir.
eu fiquei tão esgotada no sábado que não agüentei ir pro recife antigo à noite e dormi às 22h {qual a chance?}. o domingo começou já nas ladeiras de olinda novamente. a fantasia do ano foi o uniforme do BOPE, com grande destaque para as meninas que levaram placas com "pega um, pega geral" de um lado e quando algum engraçadinho ia pra cima delas, elas mostravam o outro lado "só não vai pegar você". a galera se pega muito em olinda. e isso me choca um pouco porque não freqüento micaretas. aí sei lá... aquela galera TODA SUADA beijando um atrás do outro. argh! na minha cabeça carnaval+pegação = herpes. ficadica.
nesse dia a programação do rec beat tinha marina de la riva, botecoeletro e móveis coloniais de acaju. era o dia com a programação que eu mais aguardava. aí a marina, por mais que eu tenha gostado é só um bolerinho dois-pra-lá, dois-pra-cá. o boteco foi um tiro no pé... muito sou-carioca-faço-samba-me-adore. só o móveis salvou a noite, como sempre. mesma força no palco, mesma empolgação contagiante. eles conseguiram encher aquela área na frente do paço alfândega, sendo que na mesma hora tava rolando um show de nação zumbi no marco zero. e no final: catarse! choveu quando eles cantaram 'copacabana' e desceram do palco pra famosa roda. lindo de ver, como sempre.
na segunda-feira meus pés já estavam querendo virar baked potatos. o solado latejava de tanto tempo em pé, do sobe e desce ladeira, do largo caminhar entre a torre malakoff, a rua da moeda e o palco do rec beat. cheguei em olinda lá pras 15h. comendo só besteira. já era o terceiro dia sem arroz e feijão, que eu amo. e ainda descobrimos uma sorveteria fenomenal na rua do sol. ponto obrigatório dos últimos dias de folia. saímos bem tarde pro recife esse dia. oito pessoas num palio, quase desafiando aquela conversa de que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço.
teve o fino coletivo, que eu sinceramente esperava que fosse melhor. até a rolling stone listou música deles entre as 10 melhores de 2007. sei lá, broxei. depois o chris murray com o firebug... a porra de um reggae interminável, chegava a quarta de cinzas e não chegava o fim desse show. cruzes. a noite terminou com a banda do chile, panico. eles são bem diferentes. eu não saberia citar, por exemplo, uma banda que seja parecida. mas é bom. uma pena que eu já tava muito cansada, queria ter curtido mais.
quando acordamos na terça-feira o clima já era de despedida. do cheiro bizarro de recife, das ladeiras de olinda, das recifenses... mil vezes mais bonitas e mais interessantes que as natalenses. demos adeus à rua 13 de maio {parte gay de olinda}, às smirnoff-ice por 2,50, ao japinha de uns 4 anos que mais parecia da yakuza com sua pistola de água.
era o último dia de rec-beat e eu queria muito ter visto o porcas borboletas. mas tava cansada demais pra pegar ônibus olinda-recife (ou seja, horas de engarrafamento) e depois ainda andar da rua aurora até o cais da alfândega. esperei a carona e cheguei quando a orquesta tipica fernandez fierro tava começando. primeira surpresa boa do festival. eles fizeram um espetáculo lindo, a iluminação era de coisa grandiosa mesmo. uns onze músicos ao todo, na frente ficavam quatro acordeons, atrás rolavam uns violinos, uns violoncelos. muito bom poder ver algo com tanta qualidade assim de graça no carnaval.
mas aí como o que é bom sempre acaba, chegou o lucy and the popsonics. bizarramente, eu amo bateria eletrônica e vocais femininos {até os mais estranhos} e, mesmo assim, não suporto essa banda. eles me parecem mezzo irritantes, mezzo arrogantes, e em alguns momentos até idiotas. como eles não têm lá grandes coisas para apresentar, o show acabou logo. e veio a segunda grande surpresa boa do festival, pato fu.
começa que a fernanda takai é a coisa mais linda a pisar nessas paragens desde o show do nouvelle vague em setembro do ano passado com a melanie {vocalista} vestida de melindrosa.
eu nunca tinha visto pato fu ao vivo, não tenho nenhum álbum completo deles no pc e nem me considero fã. inclusive me surpreendi quando me peguei cantando várias músicas. e eles são tão cativantes que eu ficava sem graça quando não sabia a letra para acompanhar. o show foi tão bom, tão leve... passou que eu nem percebi {e, porra, na terça à noite eu já tava só a capa do batman}. nem lembrava o quanto "perdendo dentes" e "canção pra você viver mais" eram lindas. gostei demais.
voltei para casa na quarta-feira de cinzas, dia 6, muito satisfeita com toda a experiência. o ponto realmente baixo desse carnaval foi a questão do banheiro. eu achei ridícula a quantidade de banheiros químicos disponibilizados pela prefeitura, parece até que era uma reunião familiar e não um dos maiores carnavais do brasil. além de poucos estavam sempre imundos. isso me obrigava a beber pouco, logo fiquei puta por mim e por todas as mulheres. e como homem que é homem não tá nem aí pra banheiro químico mesmo, as ladeiras viraram fácil um grande mictório público... preciso nem dizer que olinda vai demorar os próximos 11 meses para se recuperar. aff.
acabou o carnaval, mas começou a contagem regressiva para o próximo.
*378 dias*
29 janeiro 2008
o estágio hoje foi 'devil wears prada' meets 'run, lola, run'. tive que separar listas de nomes de jornalistas, preparar etiquetas, envelopar revistas e sair com motorista pra entregar 100 delas em uns oito pontos diferentes da cidade. entre tudo isso ainda achar tempo de falar com a secretaria de educação pedindo (implorando!) listas atualizadas de diretores de escolas municipais e tentar abrir uma conta na caixa econômica sem dezenas de xerox e autenticações.
o último local da missão "officeboy way of life" foi logo na universidade. e aproveitei para dar uma passada no meu departamento que tô mesmo precisando falar com o coordenador. obviamente não tinha ninguém. nem uma viva alma em todo aquele setor.
desde julho acho que não pisava na UFRN. é estranho demais olhar um espaço assim vazio e pensar milhões de dias vividos ali com milhões de pessoas... e nada disso fazer parte da sua vida agora. me senti muito distante de tudo. nessas horas sempre preciso ver alguém na tentativa de que a vida real me faça skip-the-drama. aí fui conhecer o laboratório de engenharia têxtil com uma amiga. desde 2003 acho que não via tantos números. não há drama que resista.
vou passar a noite com nina simone gritando 'i got life' nos fones, só pra garantir.


