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10 outubro 2008

coda ou "a epopéia" parte VI

em novembro do ano passado, eu fui de são paulo para curitiba com planos de passar cinco dias em buenos aires e dez dias no paraná. eu já tinha 40 pesos comprados, uma amiga ia me pegar no aeroporto de ezeiza, everything was beautiful and nothing hurt.

o roteiro era chegar em curitiba, ir para casa de aninha e menos de 24h depois já estar no avião. minha ansiedade atingia níveis estratosféricos. era a primeira viagem internacional e logo para argentina [meu país preferido de todos os tempos]. ana me deixou no ponto onde passa um ônibus direto para o aeroporto, fui bonitinha, fiz check in, e quando chegou na hora de passar pela polícia federal simplesmente o policial olhou meus documentos e disse 'você não vai'. eu com aquela cara de 'what nigga?'. e ele 'você não vai'.

segundo ele, o problema era que minha identidade foi expedida por órgão militar e não civil. e que o acordo de reciprocidade entre os países do mercosul só prevê viagem de brasileiro portador de identidade civil. oi? claro que na hora eu sozinha, chocada, menina-encolhida-no-canto-de-castigo NEM SOUBE REAGIR e tentando segurar o choro disse que aquilo não tinha nada a ver, que meu RG segue sendo meu RG independente do órgão emissor. claro que ele disse que eu estava errada e havia sido mal instruída pela companhia aérea. nessa hora não agüentei, botei o rabinho entre as pernas, comecei a chorar e voltei pro balcão da GOL.

expliquei a história e eles concordaram com a polícia federal [!!!], insinuando que EU não tinha lido as letras miúdas do contrato ao comprar a passagem, e tipos amo letras miúdas, amigo. li tudo, garanto. mas com eles nem tinha conversa, já era 'me diga como é sua mala para mandarmos buscar', e no auge do comportamento passivo-agressivo falei 'preta de rodinha', rá. podia ter facilitado tudo falando da fita über colorida do senhor do bonfim, mas nem.

uma itaipu em lágrimas depois, o cara chega com a mala e me transfere para outro guichê da GOL para tentar resolver a questão do cancelamento da passagem. explico pra mocinha que preciso cancelar porque não pude embarcar e ela 'você chegou atrasada?'. desabei, a pobre recebeu toda a carga do meu ódio. entre soluços eu falei [mezzo gritando] que não, que tinha chegado cedo e que o ridículo do policial só estava fazendo tudo aquilo porque eu não tinha como recorrer, porque eu estava sozinha e morava em natal, que meu pai era militar e eu não ia ter duas identidades com o mesmo número. eu tava tão devastada com a situação que a moça teve pena e nem a taxa de serviço pela emissão da passagem ela cobrou, e recebi o dinheiro todo de volta.

agora só pra deixar claro, todos os sites do ministério das relações exteriores, sobretudo o de apoio a brasileiros no exterior, dizem que:

é documento parte do acordo de mobilidade "Cédula de Identidade expedida por cada Estado da Federação com validade nacional". ou seja, EU ESTAVA CERTA. e posso processar a polícia federal.

e como life only gets better... depois de todo o drama fui ligar para ana para descobrir como voltar, quem disse que ana estava em casa? ou atendia o celular? eu não tinha o endereço, o aeroporto ficava em outro município, logo um táxi seria os olhos da cara e eu, de tão perdida, não raciocinava.

liguei a cobrar para outra amiga que nem sabia que eu estava em curitiba, muito menos que estava indo para bsas. e ela, na atitude mais altruísta do mundo, foi me buscar na mesma hora. para tentar melhorar tudo ela ainda me levou ao mercado municipal. comprei o melhor do sul do país: morango e chocolate. só consegui falar com ana à noite, mas deu tudo certo.

nunca pensei que a cidade fosse ser tão bonita, cada dia visitávamos um parque mais lindo que o outro. em compensação, jurava que ia ver milhares de pessoas atraentes pelas ruas e nada! uma galera com cara de camponesa, meio cheinha... culpa da polenta, acho.

sinto muita saudade dessa primavera. de sair toda agasalhada para andar na feirinha do largo da ordem. de irmos ao jardim botânico passar a tarde inteira comendo ameixas deitadas de barriga pra cima, sorrindo nossas bobagens e cantando belle and sebastian.


 



saudade também do dia na ópera de arame e depois na pedreira paulo leminski [e nossas fotos saltando haha]. esse dia é tão especial na minha memória. depois da pedreira seguimos para o parque tanguá... vazio vazio, andamos até um deck, deitamos. uns raios de sol morninhos vinham... e contra todas as possibilidades nós três, do nordeste, ficamos ali blusas levantadas pegando sol no sul do país. nessa hora fotografei uma nuvem em formato de coração, vejam só como curitiba é pura poesia. na saída do parque, como boa gorda, convenci as meninas a irmos na padaria comprar bolo de chocolate. levamos o bolo e fomos conhecer a suposta melhor batata frita da cidade num boteco gracioso chamado 'pudim'. e a noite terminou: bolo + batata frita + cerveja. fomos andando de volta pro apartamento gargalhando. todos os dias poderiam ser assim.




tudo em curitiba é bem cuidado. os bares que conheci lá são todos infinitamente melhores que os daqui. o VU, o wonka, o mafalda. um pessoal que se preocupa com decoração, com bom atendimento... natal tem tanto a aprender.

fomos conhecer a torre das mercês, um andar panorâmico numa torre da brasil telecom e que funciona como ponto turístico. o mirante tem uns 90m de altura e dá pra ver a cidade 360°, nunca vi tanto verde em uma capital... chega dá esperança no mundo.

vimos o show do 'wandula' no sesc. e que espetáculo maravilhoso! a banda é tão boa que nem parecia brasileira haha. tinha de tudo no palco: harpa, xilofone, piano, escaleta, acordeon, violoncelo, guitarra, baixo... hipnotiza. é tudo feito com muito cuidado, um dos shows mais envolventes que já fui.


sempre tive preconceito com museu até conhecer o da língua portuguesa em são paulo e calar a boca. em curitiba fomos ao museu oscar niemeyer. e como lá é lindo! nunca me imaginei falando isso de um museu, mas foi uma tarde inteira perdida lá dentro, achando tudo genial. vimos exposição do pablo atchugarry [que eu já tinha visto em brasília e que faz umas coisas soberbas com mármore], uma seleção de fotos chamada instantâneos da felicidade, uma área em homenagem ao próprio niemeyer, a sala sensorial da amelia toledo [com aqueles espelhos que engordam e emagrecem], a "autobiografia do gesto" de emanoel araújo e o acervo do museu da solidariedade [chile] pela primeira vez no brasil. fico sendo repetitiva e falando que tudo era bonito, mas é porque era mesmo. até o banheiro do museu era lindo! aqui na roça onde vivo nem museu [que preste] tem.

ainda conhecemos outros parques. tivemos várias outras tardes de caminhada [com trufas de chocolate branco]. fomos à biblioteca, ao cinema, ao centro. tudo é divertido com as meninas por perto. que falta curitiba me faz.


13 junho 2008

desconstruindo o mito ou "a epopéia" parte V

21 anos na cara e eu nunca tinha pisado em são paulo. acho que justamente por isso [tá, o fato de ser carioca também ajudava] eu não via muita graça ali naquele cinza. sabia de toda a vida cultural, das infinitas possibilidades, blah blah blah whiskas sachet e pensava "férias ok, morar nunca".

eu fui pra lá na última semana de outubro e planejava ficar 15 dias. fiquei 20. e desde esses 20 dias já voltei lá duas vezes.

adorei o jeito como me senti única numa cidade onde todo mundo é diferente e nem por isso alguém se dá ao trabalho de reparar.

fiz todo o roteiro clássico: av. paulista, masp, av. augusta, 25 de março, mercado municipal, benedito calixto no sábado, estação da luz + museu da língua portuguesa, liberdade, galeria do rock, bella paulista, galeria ouro fino, usp.

e cinema! eu vi "nome próprio", "viagem a darjelling", "lírios d'água", "en la ciudad de sylvia", "a via láctea", "preço da coragem", "o passado". natal inteira tem 14 salas, sabe? só no quarteirão onde eu estava na consolação tinha o dobro disso.

no primeiro final de semana vi cibelle no auditório do ibirapuera. foi uma das coisas mais lindas. assim, o rolé foi super troncho. chegamos lá debaixo de uma chuva caceteira e os ingressos estavam esgotados por causa de uma lista de VIPS gigantesca [toda uma galera rica, porém pobre de espírito que tava lá pra fazer a social e não fazia nem idéia de quem era cibelle]. com muita raiva e sem poder ir embora por causa da chuva, ficamos por lá mesmo depois que o show começou. até que uns semi conhecidos saíram na metade e deram o ingresso pra gente tentar entrar. e pã! deu certo! vi umas seis músicas, mas valeu pelo local que é perfeito.


saca a iluminação...


durante a primeira semana, tudo me chocava... a quantidade de orientais, a quantidade de gente de terno, a quantidade de baldeações no metrô. ah, e principalmente o fato dos motoristas não fecharem o cruzamento.

dessa parte da viagem eu quase não tenho fotos. e um dia em particular eu queria muito ter lembrado de levar a máquina: quando eu fui conhecer a vila madalena. o bairro todo tem uma coisa agradável no ar, sei lá. subi e desci mil ladeiras, passei pela rua purpurina, fui ver uma exposição da beatriz milhazes [AMO] na galeria fortes vilaça, depois segui para a livraria da vila. fazia tempo que não me sentia tão em casa numa livraria [desde que a bueno faliu ano passado aqui em natal, eu só compro livro na internet].

no exato segundo que eu, toda faceira, coloquei o pé fora da livraria, são pedro deu uma de "me-beija-que-eu-sou-cineasta" e mandou A MAIOR CHUVA QUE EU JÁ TOMEI NA VIDA. bateu aquele impasse "vou vs. não vou", já era quase 17h30 e eu só imaginava o metrô ficando mais e mais lotado enquanto eu ficava mais e mais molhada. a ida tinha sido só descida, logo [oi, ME FUDI] a volta era só subida. nunca queiram saber o que é subir ladeira contra a correnteza. [lembrando agora me sinto uma das panteras, caralho.] quando finalmente cheguei no metrô e parei na fila para comprar o ticket, eu formava poça. não existia uma só parte do meu corpo seca. até o mp3 player que tava dentro da bolsa de couro passou um tempo falecido por afogamento. o horror, o horror.

no quesito "balada-clima-de-paquera-e-azaração" achei são paulo devagar. conheci o CB num dia que teve montage + uns djs capengas. gostei do espetáculo pirotécnico -barman taca fogo no balcão- no final da noite. mas a hostess continua sendo uma puta idiota. pronto, falei. também conheci a Pacha [boate de semi-celebridade] e fui de HAVAIANAS, só para polemizar porque eu tinha VIP. vi a angelita feijó, a maryeva e a karina bacchi. agora caipirinha por 18 reais é meu cu. depois fui no Vegas num dia de música eletrônica e, mermão, a única coisa boa daquela noite era a barwoman com os dois braços fechados de tatuagem maori.

inventei de ir ver um show do mombojó num tal Studio SP. uma merda. local ruim e apertado, público idiota, funcionários estúpidos, nem a banda tava boa nesse dia. agora abençoada seja aquela caipirinha de saquê que só me fez perceber tudo isso de leve, bem de leve.

são paulo é tão cosmopolita que logo no dia que decidimos "enfrentar" aquele rodízio numa churrascaria low profile, quem tava lá? lcd soundsystem, mixhell e sepultura. sabe o que é ter o james murphy do seu lado no buffet? EU SEI.

sobre os festivais... fui ao "planeta terra" e ao "nokia trends".

o planeta terra tinha tudo pra funcionar. local novo, bandas da moda e ingresso justo. quando cheguei lá na tal "vila dos galpões" tava terminando o show do tokyo police club que eu nem me dei ao trabalho de conferir, um pouco chateada porque antes tocou o pato fu e eu queria ter visto. com tempo livre, fomos andar até que desse a hora de lily allen. e o local é realmente muito foda. tinha galpões separando as coisas, tipo praça de alimentação, banheiros [que não fediam], uma semi feirinha... e tinha um gramado enorme com locais pra sentar. não choveu nesse dia e era super agradável ficar por ali.

os shows aconteciam em dois espaços diferentes e o da lily allen era a céu aberto. ela apareceu com um vestidinho feio, microfone verde limão e chinelo... fumou muito, tava bêbada e não cantava nada. decepção. fiquei até ela cantar smile e fui pro palco coberto ver css pós europa. MELDELS, era outra banda completamente. agora sim fazem jus ao cd, que é super bem produzido e no palco era só galhofa. até maria flor, a atriz gatinha da globo, tava lá curtindo. engraçado. um pouco depois da meia noite, no mesmo palco, começou o rapture. e foi O MELHOR SHOW DO ANO. explico: eu sei que eu tinha visto cat power e nouvelle vague e que isso para meu coração é incomparável. mas gostar de apresentação das suas bandas favoritas é uma coisa, se surpreender com uma banda que você não dava a mínima é outra totalmente diferente. e foi o que rolou. dancei tanto, mas tanto que vieram me perguntar que droga eu tinha tomado. ai, a felicidade...

já o nokia, eu fui com um pé atrás... não vou mentir. queria muito ver o phoenix e já que tava lá mesmo ia ver o she wants revenge. achei bem pobrinho o espaço lá no memorial da américa latina. o festival tava vazio, a área de circulação era rídícula com mil luzes piscando e o bar vender fichas de no mínimo r$ 10,00 foi o cúmulo do absurdo. as previsões se confirmaram, o show do phoenix foi ótimo, empolgante pra caralho, o vocalista se jogou no meio da galera esquecendo toda a origem francesa-blasé dele e eu gritei "too young" como se não houvesse amanhã. e o she wants revenge... bem, se aquilo é a "apresentação" deles ao vivo, eu escuto o cd em casa, muito obrigado.

minha despedida foi num karaokê gay na av. vieira de carvalho. chamava "boa noite, rainha" e vendia itaipava [precisava de mais o quê?]. bebi horrores, acompanhei o coro dos que cantavam, aplaudi loca uma galera. e na volta pra casa ainda dançamos "i.m a slave for you" pelas ruas da república.

saudade são paulo :~

22 fevereiro 2008

o rio de janeiro continua sendo ou "a epopéia" parte IV

eu sou carioca. e, apesar de ter saído do rj com um aninho, sempre passei as férias lá. a sensação que eu sinto quando volto é de bem estar... com umas doses de saudade e outras de alívio. sei que estar lá é bom até quando é ruim.

dessa vez, cheguei no sábado à noite e o destino foi direto a lapa. andamos, bebemos na rua, entramos em um bar após o outro. a lapa é bem 'tudo ao mesmo tempo agora'. tem até chopperia com quatro andares. adóro. dormi umas 6 da manhã, levantei meio dia e aí... domingão. parada gay. copacabana. delícia, apesar da absoluta falta de pessoas bonitas.

a segunda foi mais leve. dia de passear no cosme velho, tirar fotos próximas ao bondinho que sobe pro cristo no corcovado, e num chafariz perto do túnel rebouças... e depois comer e beber nos botecos de laranjeiras.

no dia seguinte, rolé muambeira... fui ao saara, melhor centro de compras de bugingangas do rio de janeiro. melhor até que o alecrim aqui em natal. uma loucura. quando dei por mim mais de cinqüenta reais já tinham magicamente se transformado em sacolas nos meus braços. os brincos que comprei já quebraram todos... tirando isso, as outras tralhas estão aqui inteirinhas da silva. e eu ainda fui corajosa o suficiente pra encarar um pastel com caldo de cana no final do dia.

não satisfeita com o tanto que eu tinha andado, ainda fui lá pra gávea ver um show de graça do cordel do fogo encantado na puc. peguei a maior chuva do universo. MESMO. acho que só se compara à um dia em são paulo em que fui conhecer a vila madalena e andei quase 2km ladeira acima debaixo de uma chuva com gotas ridiculamente pesadas [conto mais disso na epopéia V]. o show foi normal, mas eu passei mais tempo prestando atenção nas pessoas e tentando me secar.

como eu tava bem non stop, na quinta-feira peguei metrô pro centro e fui conhecer o ccbb. lá é tudo lindo. o lugar é grandioso, sabe? a estrutura, os andares, o café, a livraria... fiquei encantadíssima. a exposição principal chamava "lusa" e era sobre a origem de portugal. tinha até uma sala [maior que a casa onde moro, diga-se de passagem] só com especiarias, falando do período que portugal tava na vibe pegar muamba na índia. devo ter passado umas três horas lá dentro.


ccbb - rj

de lá peguei metrô de novo, agora sentido bairro do flamengo. assim que saí passei por uma feirinha de livros e comprei 'o lustre', da clarice. uma de minhas melhores aquisições cariocas. já era noite e eu tava indo pro oi futuro, um prédio todo modernoso que tem o museu das telecomunicações, uns banheiros chiques, umas escadas transparentes... e um público über metido. era pocket show do diplo... de um tal projeto multiplicidade. quando cheguei faltava mais de uma hora pro show e a moça disse que os ingressos tinham esgotado. fiquei puta, mas decidi esperar... consegui o ingresso com um cara que comprou pra um monte de amigos e um deles desistiu. ele queria me vender inteira, eu disse que só compraria meia. ficou aquele impasse, acho que ele queria logo se livrar e acabou me vendendo assim mesmo. achei bem sem gracinha o set do diplo, muito funkão pra gringo e classe alta. salinha com ar condicionado, almofada pra sentar. assim qualquer um dança funk! só na mordomia... sei lá, achei tudo muito falso. mas tinha a deborah block e a fernanda abreu rebolandinho e isso foi engraçado. peguei mais chuva na volta pra casa.

aí na sexta eu tava louca pra sair. fui pra casa de uma amiga no humaitá, de lá fomos pra cobal beber, eu tinha quatro garrafinhas de ice na bolsa e depois da segunda eu já tava abestalhada... tanto que quebrei a terceira garrafa porque não consegui me equilibrar, segurar a garrafa e uma batatinha frita. tudo isso eu sentada... foi engraçado. dali fomos atrás de um bar gay em ipanema, mas tava fechado e saimos andando bairro adentro. passamos em três lugares diferentes sem saco pra ficar em nenhum deles. no último eu vi a menina que faz o papel de filha do antonio fagundes numa dessas novelas de agora da globo... bebemos um tempo na praia e voltamos pra casa.

sábado depois almoço fui ao MAM por causa da exposição com as fotos da marilyn monroe em 1962, pouco antes dela morrer. deus, que mulher linda! e ela tinha acabado de fazer uma cirurgia de vesícula... tava com uma cicatriz [prrraaaa!] na barriga. e mesmo assim linda linda.

eu me diverti de verdade nesse museu, saí vendo tudo. uma parte era toda dedicada à arte para crianças. e é um cu não poder fotografar exposição. altas coisas sobre 'desconstrução do concreto'... cores, videos, quadros, lugares para rabiscar. adorei tudo. mas o melhor era a árvore dos desejos em que elas podiam colocar papeizinhos com seu nome e seu desejo escrito. lendo alguns dos desejos o que mais me chamou a atenção foi o que dizia assim "quero a maria eduarda só pra mim" e quando eu virei o papel tinha escrito "ananda - 8 anos". rá!

no terceiro andar tinha a exposição sobre o livro Grande Sertão: Veredas. provavelmente a coisa mais criativa que eu já vi na vida. quando você entrava era tanta informação. eu não sabia nem pra onde olhar. o livro tava todo exposto ali de formas inusitadas. com cinco trilhas marcadas. se você seguisse por diadorim ia lendo frases escritas dentro d'água ao avesso só podendo ser lidas colocando um espelho contra as letras. aí seguindo o caminho do diabo as frases eram escritas na areia. e às vezes não dava pra ler porque o vento tinha desfeito alguma palavra. e tinha uma parte de frases escritas com giz em tijolos terracota. uma mais linda que a outra. depois as frases eram bordadas com lã vermelha em pedaços de madeira presos na vertical. alguns outros trechos estavam presos ao teto, com fios pra que puxássemos todo o manuscrito feito com letra de máquina de escrever. e para que ele subisse novamente haviam dois saquinhos com terra que faziam peso e puxavam o tecido inteiro pra cima. e a minha parte preferida, que é claro eu não vou conseguir descrever, mas se esforçem... era assim: você olhava num canto um monte de entulho com algumas letras soltas, havia a indicação de um ponto para observar o entulho e desse ponto, que era um círculo em alguma parte da exposição, todas as letras formavam uma frase que só podia ser vista daquele exato lugar.

no domingo, subi o corcovado desde o cosme velho. andei mais de 10km, eu acho. vi o mirante dona marta, o redentor... lá em cima tem uma energia absurda. fui sozinha, andando pelo caminho do trem que sobe a montanha. aí teve uma hora que ouvi um barulhinho de água e começei a descer uma encosta lá... me molhei um pouco nessa nascente, continuei subindo pela trilha até a estátua. acho que nem na chapada eu andei tanto. e eu tava de havaianas. sentiram o drama? lá no cristo é um barato. torre de babel total. tinha aquele pessoal oriental-turista-clichê com máquina no pescoço, sabe? tinha uma galera com um jeitão meio leste europeu falando loucamente coisas que me lembravam muito a sensação do personagem de budapeste do chico buarque.


o redentor

como eu fiquei muito cansada no domingo, passei o dia seguinte inteiro poupando energia pra 'maldita' [festa fixa da casa da matriz] na segunda à noite. e lá fui eu sozinha pra buatchy. foi bem nhé pra falar a verdade. não dancei nada, o set tava borocoxô, só valeu por 'engine driver' do decemberists que me fez ficar chorandinha pista com aquela porra daquele refrão "if don.t love me, let me go"... depois um cara com uns 35 anos veio dar em cima de mim e eu com nojinho menti toda a minha vida pra ele. aí fui pro segundo andar e tinha umas poltronas fodas e uma rolling stones do mês passado. fiquei mais de uma hora lá lendo e bolei de rir com a frase "ser dj é como gozar com o pau dos outros". acabei indo jogar pac man nos ataris. e voltei pra casa às 3h andando pelas ruas de botafogo.

dia seguinte saí para fotografar algumas vacas da cow parade e já começei dando azar, quando cheguei perto da vaca sentada ao lado do drummond tinham dois mendigos e um deles tava vomitando. no pé do drummond, véi.




de lá emendei pra modern sound, uma loja de cds gigante que tem lá em copacabana para um show de lançamento do terceiro cd de roberta sá, "que belo estranho dia pra se ter alegria". uma graça ela, como sempre. amei o show. só que teve um atraso de mais de uma hora e eu fiquei lá toda conversando com um menino super simpático que disse ser músico e estudar na Unirio. ele até me disse o nome, mas eu esqueci... no final fiquei com vergonha de pedir algum contato e passei horas stalkeando todas as comunidades do curso de música da unirio atrás dele... sem sorte.

aí que eu já estava no rio há 14 dias e era o dia do tim festival [acho que a chan merece um post só pra ela]. dia seguinte, aquela farofada familiar, era o noivado de um primo. e algumas horas depois eu estaria na estrada, no último ônibus pra são paulo. sozinha. mas ainda tive tempo pra uma situação inédita, paquera na parada.

a viagem rio-sp dura 6 horas. e, durante o trajeto, o ônibus faz uma parada só, ali por resende, interior do rio. muito diferente das paradas aqui no nordeste, o local parecia um shopping. e tinha uma loja de chocolates fodas, sem gordura trans, mil e uma opções de recheio. obviamente o pensamento de gorda me levou lá. fiquei todo o tempo da parada conversando com o mocinho vendedor, que era lindo e me deu um chocolate branco com amora porque eu disse que amava chocolate branco e amora. fiquei toda cheia de pensamentos maliciosos pro lado dele e dos chocolates. gastei todo o dinheiro que tinha pra comer na tal loja. entrar no ônibus foi estranho. eu não queria ir. e eu sempre fujo dessas situações porque acho constrangedor. e ali com ele não estava constrangedor at all. a vida só me apresenta dessas...

28 janeiro 2008

sobre a redescoberta do cerrado ou "a epopéia" parte III

quando eu cheguei em brasília a seca estava no auge. era metade de agosto e a cidade estava há quase 100 dias sem chuva. o gramado entre as pistas do plano piloto ia amarelado de uma ponta à outra. os ipês, que ficam completamente coloridos na primavera, estavam só galhos secos.

a bruna foi uma excelente anfitriã. e, cara, eu adoeci na primeira semana, sabe? perdi a voz, dei trabalho, até chá de alho aceitei tomar pra ficar boa. foi horrível, mas eu melhorei.

nos 17 dias que fiquei lá conheci uns oito bares. natal não tem oito bares freqüentáveis.

fui na primeira vernissage da minha vida. quase não lembro dos quadros, mas nunca esquecerei o fondue de chocolate que foi servido.

não gostei muito da boate que eu conheci, a landscape.
mas adorei o zoológico e o ccbb. passeei na unb, pelas galerias, pela biblioteca, comi torta holandesa ao lado do CA de história. aí fui na sorveteria sorbet e as meninas me zoaram porque eu pedi sorvete de paçoquinha. dancei em show de alceu valença. comi de um tudo na feirinha da torre, até o meu queridíssimo cuscuz de tapioca. também revi as casas em que morei e, caceta, o tempo muda tudo. mesmo.

eu troquei meu piercing do nariz por uma argolinha, fiz minha primeira tatuagem, experimentei profiterólis e brócolis {e eu nunca experimento comida}, conheci a chapada dos veadeiros.

a viagem pra brasília foi bem especial também pelas pessoas que eu conheci e eram amigas de internet há tempos. é sempre um prazer trazer mais alguém pro álbum de retratos da vida real.

na chapada eu vivi momentos raros, daqueles que só você reconhece como segundos muito fortes de vida pulsando.

cachoeira de almécegas II

é tudo muito lindo por lá. o céu do planalto central é o mais intenso. e as cachoeiras, mesmo estando com nível baixo de água, eram estupendas. visitamos quatro: almécegas II, são bento, raizama e vale da lua. foi inclusive na são bento que eu passei pelo meu maior desafio interno... saltar de uma cachoeira. era uma altura de no máximo três metros, nada muito radical. e uns meninos estavam pulando, todos mais novos que eu. uma amiga também pulou.

e eu fiquei entre a angústia de 'não ir e me arrepender' ou 'ir e me arrepender'. lá em cima o medo faz travar. a imaginação coloca imagens obtusas do seu corpo boiando, ou você batendo nas pedras antes de cair na água. talvez até seja perigoso de verdade, mas várias pessoas pularam antes de mim e isso de certa forma dava uma segurança com relação ao local da queda. e eu pensava nos meus pais, nos meus amigos. pensava se devia me arriscar assim. pensava se eu não estava sendo boba por não saltar logo. até que parei de pensar e dei um passo em direção ao abismo. e a sensação é como nenhuma outra.

é melhor que doce. é melhor que a trilogia do poderoso chefão. é melhor que se apaixonar. é melhor que dançar. é melhor que beber até os lábios ficarem dormentes. é... é tão bom que você só sente seu coração saindo. e naqueles dois ou três segundos de queda livre nada mais existe no planeta. só a vida implorando que seja sempre assim. só isso. all the way. e falta fôlego. e a batida na água é forte. e água de cachoeira é sempre gelada. mas o mergulho é tão libertador, faz você se sentir capaz de qualquer coisa no universo. foi muito importante sentir isso. a energia da chapada mexeu comigo demais. obrigada, meninas, de coração.

26 janeiro 2008

resumo fotográfico ou "a epopéia" parte II


brasília e o congresso.

goiás e a chapada dos veadeiros.

recife e o capibaribe

rio de janeiro e o redentor

são paulo e a estação da luz

curitiba e o jardim botânico

25 janeiro 2008

sobre como tudo começou ou "a epopéia" parte I

só quem mora em natal entende a angústia que é viver aqui. parece que tá na água... todo mundo meio macambúzio, sem planos, reclamando da vida e sem a menor vergonha na cara de fazer algo contra toda essa estagnação.

aí lá por janeiro de 2006 eu tava ficando doida. pirando mesmo. chegava a ser monotemática [um pouco como agora], só falava em ir embora, só pensava em ir embora. e tudo parecia difícil, distante, caro. até que apareceu uma oportunidade de intercâmbio de estudo com trabalho por um preço até acessível. preparar tudo levaria uns cinco meses. e quando eu decidi que ia mesmo, no matter what, apareceu um estágio no melhor jornal da cidade [ou no caso, no jornal menos ruim da cidade]. e contra todas as probabilidades eu escolhi ficar.

e é bom se resignar com as coisas que surgem assim do nada como um pop up. valeu a pena. foram dezoito meses nesse jornal. tem gente de lá que eu adoro encontrar até hoje nem que seja por acaso numa parada de ônibus. em compensação, tem gente de lá que se eu vir na rua faço questão de atravessar... afe.

durante esse tempo na redação me perdi um pouco dos objetivos, eu queria muita coisa ao mesmo tempo, não optava por nada, vivia cansada, mas guardava dinheiro todo mês.

então, quando eu comecei a querer sair do estágio pensava novamente em ir embora de natal o mais rápido possível. só que tinha essa falha de tempo por causa da faculdade... eu teria um bom período livre. mas esse período era muito curto para tentar ir pro exterior e muito longo pra ficar presa nesse saara.

resultado: 90 dias viajando o brasil.