la canción desesperada...
todo te lo tragaste, como la lejanía.
como el mar, como el tiempo. todo en ti fue naufragio!
era la alegre hora del asalto y el beso.
la hora del estupor que ardía como un faro.
ansiedad de piloto, furia de buzo ciego,
turbia embriaguez de amor, todo en ti fue naufragio!
- pablo neruda [trecho do livro vinte poemas de amor e uma canção desesperada]
18 fevereiro 2008
16 fevereiro 2008
15 fevereiro 2008
thundercats are go!

quando começaram a falar de Juno [Juno, 2007] na época do Toronto Film Festival, eu já sabia que ia gostar. adorei o trailer. adorei a trilha sonora. faltava ver o filme [que só estreou em natal essa semana]. aí que eu sabia que ia gostar, não tinha previsto era que ia gostar tanto.
é uma história boba sobre uma menina que engravida com 16 anos, mas não é um filme sobre gravidez na adolescência. nem sobre adoção, nem sobre aborto. fosse panfletário e teria me perdido como espectadora. odeio esse filmes que "passam mensagem"... mas Juno consegue divertir com profundidade. é um filme simples que causa umas risadas ótimas e, ao mesmo tempo, te põe em perspectiva a questão de que a vida vai acontecendo e nós vamos apenas tentando fazer o melhor que podemos.
aí que eu vi muita gente comentando sobre como uma adolescente espertinha como a Juno, nos dias de hoje, poderia ser sexualmente ativa e não usar algum tipo de prevenção. gente, atire a primeira pedra quem nunca fez unsafe sex. acontece! é uma merda [psicologicamente falando], mas acontece.
e apesar de cada personagem ser bastante peculiar, eles são reais o suficiente para dar credibilidade ao roteiro. nada resultou forçado. e a responsável por isso é a Diablo Cody, uma ex-stripper que nunca tinha sido roteirista. alguém me disse que o filme preferido dela é Mundo cão [Ghost world, 2001] e foi nesse universo de referências pop que ela se baseou quando tava escrevendo.
outra coisa super interessante sobre Juno é o fato do diretor Jason Reitman [de thank you for smoking, 2005] ter chegado na Ellen Page e perguntado que banda ela achava que a Juno escutaria. a atriz entrou tanto no clima geeks and freaks do filme que respondeu moldy peaches [amo!].
- you.re, like, the coolest person i.ve ever met, and you don.t even have to try, you know...
- i try really hard, actually.
alguém, por favor, me resgate da piscina de sentimentalidade em que eu mergulhei? ontem chorei umas seis vezes, cada vez por um motivo. [favor não confundir com aquelas palas convulsivas de sofrimento ¬¬].
não! eu tô muito fêmea, me emocionando com música, com filme, com parágrafos em livros de guerra, com american idol {qual a chance?}. socorro! aí quando eu tento olhar aquilo racionalmente é tarde, já estou com as bochechas úmidas.
testosterona urgente!
14 fevereiro 2008
13 fevereiro 2008
tenho vontade de fazer alguma coisa grandiosa (...) alguma coisa, sabe, que justificasse ter ficado aqui nesta porcaria. só que não consigo imaginar nada. todas as possibilidades que vejo neste negócio de profissão, de estudo, de salário, etc. me enojam, porque é sempre a mesma coisa... não encontro nada, albert - não vejo nada. de repente, tudo me parece desesperado e inútil.
- paul bäumer [em nada de novo no front, de erich maria remarque]
11 fevereiro 2008
10 fevereiro 2008

henriqueta: estoy aburrida. ¿no se te ocurre algo para hacer?
fellini: no... pero, si querés, me aburro con vos.
-liniers
09 fevereiro 2008
08 fevereiro 2008
que bom que todo carnaval tem seu fim
eu gosto demais de recife, sabe? e queria há tempos ir pra lá no carnaval. não que eu seja a_foliã, veja bem. é só que eu gosto demais desses lances verdadeiramente brasileiros, sem a palhaçada de ser um espetáculo mais voltado para gringos que para nós. nas ladeiras de olinda é proibido tocar axé. proibido. quer coisa mais linda?
eu viajei na sexta, dia 1º, depois do trabalho e cheguei lá umas 19h porque tinha um engarrafamento estúpido já na entrada de olinda. umas 22h fomos pro recife antigo conferir a abertura do carnaval no palco do marco zero. instantaneamente, duas coisas me chocaram: o excesso de vaidade com os cabelos das pernambucanas {cabelereiro deve ser a_profissão do futuro por lá} e a maravilha que é venderem carne de sol com macaxeira nas banquinhas de comida de rua.
nesse dia dormi num apartamento no décimo oitavo andar na rua aurora e o capibaribe estava assim... pura luz:
sábado é dia do galo da madrugada, maior bloco de carnaval do mundo. e a multidão toma tudo, as ruas... as pontes. uma loucura. e lá fomos nós atrás do galo. tava um sol absurdo, e tinha muita muita gente, cheguei embaixo dele, tirei a foto, mas fui "franguinha" e não agüentei ficar.
segui para olinda. aí é o esquema... sobe ladeira, desce ladeira. muita gente também. a população deve dobrar durante o carnaval... não é possível! vários blocos, várias troças, muitas fantasias, muitos bonecos gigantes. tudo muito colorido, divertido mesmo. e os tambores de maracatu... eu amo maracatu. parece que a batida acompanha o coração, sei lá. mexe com algo que em mim não tem nome, mas tem uma energia muito forte. é só deixar fluir.
eu fiquei tão esgotada no sábado que não agüentei ir pro recife antigo à noite e dormi às 22h {qual a chance?}. o domingo começou já nas ladeiras de olinda novamente. a fantasia do ano foi o uniforme do BOPE, com grande destaque para as meninas que levaram placas com "pega um, pega geral" de um lado e quando algum engraçadinho ia pra cima delas, elas mostravam o outro lado "só não vai pegar você". a galera se pega muito em olinda. e isso me choca um pouco porque não freqüento micaretas. aí sei lá... aquela galera TODA SUADA beijando um atrás do outro. argh! na minha cabeça carnaval+pegação = herpes. ficadica.
nesse dia a programação do rec beat tinha marina de la riva, botecoeletro e móveis coloniais de acaju. era o dia com a programação que eu mais aguardava. aí a marina, por mais que eu tenha gostado é só um bolerinho dois-pra-lá, dois-pra-cá. o boteco foi um tiro no pé... muito sou-carioca-faço-samba-me-adore. só o móveis salvou a noite, como sempre. mesma força no palco, mesma empolgação contagiante. eles conseguiram encher aquela área na frente do paço alfândega, sendo que na mesma hora tava rolando um show de nação zumbi no marco zero. e no final: catarse! choveu quando eles cantaram 'copacabana' e desceram do palco pra famosa roda. lindo de ver, como sempre.
na segunda-feira meus pés já estavam querendo virar baked potatos. o solado latejava de tanto tempo em pé, do sobe e desce ladeira, do largo caminhar entre a torre malakoff, a rua da moeda e o palco do rec beat. cheguei em olinda lá pras 15h. comendo só besteira. já era o terceiro dia sem arroz e feijão, que eu amo. e ainda descobrimos uma sorveteria fenomenal na rua do sol. ponto obrigatório dos últimos dias de folia. saímos bem tarde pro recife esse dia. oito pessoas num palio, quase desafiando aquela conversa de que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço.
teve o fino coletivo, que eu sinceramente esperava que fosse melhor. até a rolling stone listou música deles entre as 10 melhores de 2007. sei lá, broxei. depois o chris murray com o firebug... a porra de um reggae interminável, chegava a quarta de cinzas e não chegava o fim desse show. cruzes. a noite terminou com a banda do chile, panico. eles são bem diferentes. eu não saberia citar, por exemplo, uma banda que seja parecida. mas é bom. uma pena que eu já tava muito cansada, queria ter curtido mais.
quando acordamos na terça-feira o clima já era de despedida. do cheiro bizarro de recife, das ladeiras de olinda, das recifenses... mil vezes mais bonitas e mais interessantes que as natalenses. demos adeus à rua 13 de maio {parte gay de olinda}, às smirnoff-ice por 2,50, ao japinha de uns 4 anos que mais parecia da yakuza com sua pistola de água.
era o último dia de rec-beat e eu queria muito ter visto o porcas borboletas. mas tava cansada demais pra pegar ônibus olinda-recife (ou seja, horas de engarrafamento) e depois ainda andar da rua aurora até o cais da alfândega. esperei a carona e cheguei quando a orquesta tipica fernandez fierro tava começando. primeira surpresa boa do festival. eles fizeram um espetáculo lindo, a iluminação era de coisa grandiosa mesmo. uns onze músicos ao todo, na frente ficavam quatro acordeons, atrás rolavam uns violinos, uns violoncelos. muito bom poder ver algo com tanta qualidade assim de graça no carnaval.
mas aí como o que é bom sempre acaba, chegou o lucy and the popsonics. bizarramente, eu amo bateria eletrônica e vocais femininos {até os mais estranhos} e, mesmo assim, não suporto essa banda. eles me parecem mezzo irritantes, mezzo arrogantes, e em alguns momentos até idiotas. como eles não têm lá grandes coisas para apresentar, o show acabou logo. e veio a segunda grande surpresa boa do festival, pato fu.
começa que a fernanda takai é a coisa mais linda a pisar nessas paragens desde o show do nouvelle vague em setembro do ano passado com a melanie {vocalista} vestida de melindrosa.
eu nunca tinha visto pato fu ao vivo, não tenho nenhum álbum completo deles no pc e nem me considero fã. inclusive me surpreendi quando me peguei cantando várias músicas. e eles são tão cativantes que eu ficava sem graça quando não sabia a letra para acompanhar. o show foi tão bom, tão leve... passou que eu nem percebi {e, porra, na terça à noite eu já tava só a capa do batman}. nem lembrava o quanto "perdendo dentes" e "canção pra você viver mais" eram lindas. gostei demais.
voltei para casa na quarta-feira de cinzas, dia 6, muito satisfeita com toda a experiência. o ponto realmente baixo desse carnaval foi a questão do banheiro. eu achei ridícula a quantidade de banheiros químicos disponibilizados pela prefeitura, parece até que era uma reunião familiar e não um dos maiores carnavais do brasil. além de poucos estavam sempre imundos. isso me obrigava a beber pouco, logo fiquei puta por mim e por todas as mulheres. e como homem que é homem não tá nem aí pra banheiro químico mesmo, as ladeiras viraram fácil um grande mictório público... preciso nem dizer que olinda vai demorar os próximos 11 meses para se recuperar. aff.
acabou o carnaval, mas começou a contagem regressiva para o próximo.
*378 dias*



