31 dezembro 2008

é unânime. 2008 uó.

quando eu penso na década, dear lord, esse ano só não foi pior que 2005.
mas tudo bem, que hoje todos os blogueiros estão monotemáticos e nem é fino ficar reclamando.

eu [mezzo] defini minha vida acadêmica, finalmente jornalista [para o bem ou para o mal].
e o curso de letras-espanhol ficou resolvido assim: enquanto eu morar em natal, continuo frequentando. assim que surgir a chance de sair daqui, tranco. ou transfiro. ou largo de vez.

trabalhei em dois lugares. os dois eram um saco.
mas pelo menos bancaram meu carnaval em olinda, interpol em são paulo, semana santa em pipa, coquetel molotov em recife.

minha vida amorosa esse ano foi uma piada, 'porque penso nela e não consigo parar de rir' [citando comunidades do orkut].

em 2009, tudo irá mudar.
segundo a numerologia *haha* estou em um ano pessoal 9. ano de encerramento, de desfecho... fim de ciclo e tal. hora de dizer tchau a tudo que não presta para iniciar o próximo ciclo sem pendências.

feliz ano novo, criançada.

29 dezembro 2008

juliana diz:
vai conseguir levantar?
camila diz:
é só ficar 90°, depois é só uma questão de me arrastar...

[sobre ir trabalhar depois de duas horas de sono e ainda bêbada]

25 dezembro 2008

aquilo tinha sido feito por gente? (...) encolheu os ombros. talvez aquilo tivesse sido feito por gente. (...) provavelmente aquelas coisas tinham nomes. (...) livres dos nomes, as coisas ficavam distantes, misteriosas. não tinham sido feitas por gente. e os indivíduos que mexiam nelas cometiam imprudência. vistas de longe, eram bonitas. admirados e medrosos, falavam baixo para não desencadear as forças estranhas que elas porventura encerrassem.

- graciliano ramos [em vidas secas]

com minha vida social sendo esse grande filme iraniano sobre o tédio, tenho feito nada além de ler umas coisas para monografia.

e por mais preconceituosa que eu seja com teóricos, vezemquando aparece alguma coisa legal. olha o que eduardo pellanda, doutor em comunicação pela PUC-RS, diz:

"A escrita é codificada e decodificada de maneira linear e seqüencial por nós e portanto o hemisfério predominante do cérebro que age neste processo é o esquerdo. Esta parte é associada com as decisões lógicas e lineares do ser humano.

Já as novas mídias eletrônicas como a TV e o rádio são interpretadas com relacionamentos emocionais, o que faz predominar o hemisfério direito do cérebro neste processo."


e ainda surge um marshall mcluhan pra completar:

"A época eletrônica atual, em sua inevitável evocação da simultaneidade, apresenta a primeira grave ameaça ao predomínio - que já dura 2.500 anos – do hemisfério esquerdo. Não é de se admirar que os estudantes cujos cérebros direitos tem 18 anos de educação televisiva tenham problemas com os programas escolares para o hemisfério esquerdo."

nem sei se faz sentido para alguém, mas pelo menos explica porque eu acho a juventude atual tão idiota.

24 dezembro 2008

.don.t know why there.s no sun up in the sky.

eu não sou essas fortalezas todas, sabe? mas existem épocas na vida em que tudo adquire um peso tão grande. e você fica só se perguntando se você diminuiu ou se tudo ao redor ganhou essa proporção gigantesca enquanto você dormia.

por que tanta dor?

e nem falo da quantidade massiva de doenças que pipocou por aqui. [apesar do cansaço, há saída]. é só que nao consigo concordar com tanta mediocridade. tá todo mundo gratuitamente se magoando... isso me atinge, nem sei como, mas atinge. [para 2009, mais leveza]

.keeps raining all of the time.

11 dezembro 2008

12 novembro 2008

this is you. eyes closed, out in the rain. you never thought you.d be doing something like this, you never saw yourself as, i don.t know how you.d describe it... is like one of those people who like looking up at the moon, who spend hours gazing at the waves or the sunset or... i guess you know the kind of people i.m talking about. maybe you don.t.

anyway, you kind of like being like this, fighting the cold, feeling the water seep through your shirt and getting through your skin. and the feel of the ground growing soft beneath your feet. and the smell. and the sound of the rain hitting the leaves. all the things they talked about in the books you haven.t read.

this is you, who would have guessed it?
you.

- ann [personagem de sarah polley em "my life without me"]

10 novembro 2008

das poucas vezes que arriei os quatro pneus por alguém, nada ficou tão forte na lembrança quanto as músicas da ocasião. seja por ter ouvido ainda com a pessoa, ou por ter ouvido durante a fossa... as mais importantes são essas aí:

#1
belle and sebastian - she.s losing it
cocorosie - terrible angels
euterpia - brechot do brega
le tigre - deceptacon
metric - calculation theme
mombojó - nem parece, absorva, faaca
nina simone - i put a spell on you
simona talma - cotidiano
tricky - makes me wanna die

#2
beach boys - here today
franny glass - cine y libros
josé gonzález - hand on your heart
lykke li - a little bit
moldy peaches - nothing came out
mutantes - baby
phoenix - too young
tegan and sara - walking with a ghost
the do - at last


[meu tédio adora fazer listas, incrível]

02 novembro 2008

passei a tarde conversando sobre o quanto as coisas têm sido injustas. sobre o desespero que dá quando você percebe que toda aquela sensação boa de frio na barriga não é recíproca. e relê emails, logs de conversa, mensagens no celular. acaba escrevendo qualquer coisa brega que tente representar tanto sentimento estancado. recita pela milésima vez 'a canção desesperada' de neruda. escuta todas as músicas doloridas, e chora chora chora.

mas em algum momento - seja por esgotamento das forças ou por superação - em algum momento, eu juro, você olha a pessoa e vê um oco. talvez até fique triste, só que é uma tristeza diferente... meio a ver com pena. porque você dedicou uma parte tão grande do seu afeto e a pessoa claramente não soube lidar. e agora fica aí andando oca na vida.

no entanto, independente da outra pessoa ser mesmo uma idiota vazia que merece sofrer lentamente, você ainda tem aquele mísero fio de esperança de que talvez, apenas talvez, se ela viesse e se desculpasse, com jeitinho e duas vezes, tudo ficaria bem de novo. afinal, amores serão sempre amáveis [by chico buarque]. haha.

isso, claro, não vai acontecer. pelo contrário, você irá sair toda serelepe de casa e ao encontrar o alvo de sua estima e danação todos aqueles pensamentos úteis sobre a pessoa ser apenas um oco murcham como brócolis.

não que a presença te incomode, longe disso. mas quando você pensa que naquele mesmo local, durante aquele mesmo festival, porém um ano atrás, você estava levinha, boba, reparando o tempo todo uma pessoa que nem sabia da sua existência e que, ainda por cima, namorava, e agora - depois de ter ganhado e perdido a pessoa - lá estava você vendo um replay bizarro: o alvo da estima e danação com a mesma pessoa de um ano atrás.

todo te lo tragaste. como la lejanía. como el mar. como el tiempo.

18 outubro 2008

o amor entre ele e tereza certamente era belo, mas também cansativo: era preciso sempre esconder alguma coisa, dissimular, fingir, retificar o que dizia, levantar-lhe o moral, consolá-la, provar continuamente que a amava, suportar as reprovações de seu ciúme, de seu sofrimento, de seus sonhos, sentir-se culpado, justificar-se e se desculpar...

- tomas [em a insustentável leveza do ser, de milan kundera]